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15 02

O fenômeno Flappy Bird ou “Sobre como gostamos de sofrer com games”

Chuck-Norris-vs-Flappy-Bird

A premissa é das mais simples: com toques na tela do smartphone você tenta impedir o pássaro de encostar (há quem diga RELAR) nos canos, ameaçadores por sabe Deus que motivos. O cenário e personagem parecem quase roubados de alguma fase de Super Mario Bros (aquele do Super Nintendo mesmo) que todo mundo jogou até cansar.

Desenvolvido pelo programador vietnamita Nguyễn Hà Đông em três dias e lançado para Android e iOS,  Flappy Bird liderou o ranking de downloads gratuitos tanto na App Store quanto no Google Play, rendendo, por dia, mais de CINQUENTA MIL DÓLARES em publicidade. O motivo de tudo isso? Sua natureza absurdamente viciante.

Manter o pássaro vivo não é tarefa nada fácil e a intrincada mecânica por trás de sua aparência boboca faz com que você sempre queira voltar ao game. Nem que seja pra morrer no primeiro cano (algo que aconteceu bastante comigo durante os cinco minutos em que TENTEI jogar).

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Removido das plataformas móveis por motivos de ai meu deus o assédio , era natural que o jogo acabasse gerando cópias e mais cópias, incluindo aí uma versão online intitulada FlapMMO em que você pode ver diversos outros pássaros se espatifando por todo o cenário. Mas por que tanto apreço por um jogo que parece impossível de ser vencido?

Ao contrário de outras manias como Candy Crush em que há progressão de níveis e a recompensa é simplesmente passar de fase, Flappy Bird aparenta não ter fim. É uma busca constante por superação de si mesmo ou um eterno bater de cabeça contra uma dura parede – você decide – sem cheats ou quebrar chocolates, fazer combinações… É você contra esse seu dedo podre sem estabilidade e os canos.

A absurdez da dificuldade remete a outros tempos, quando videogames não seguravam o jogador pela mão e davam tudo de bandeja, época em que fliperamas imperavam e os jogos eram bem mais difíceis por uma questão um tanto quanto lógica: quanto mais você morre, mais você gasta em fichas e mais o dono da máquina tem de lucro.

Com o tempo, popularizam-se os consoles, o que na minha infância e de muitos de meus amigos era sinônimo de NES (o Nintendinho 8 bits), Super Nintendo e Mega Drive. Com a possibilidade de jogar videogame em casa, sem a preocupação com fichas e a mecânica do lucro mencionada no parágrafo anterior, esperava-se que os jogos ficassem mais fáceis. Não ficaram. E assim crescemos com Golden Axe, Ghosts’n’Goblins, Battletoads e tantos outros títulos que puniam e recompensavam na mesma medida, com suas fases impossíveis, pulos mortais e inimigos que simplesmente se recusavam a morrer. Sem querer querendo, Flappy Bird e seu sucesso são frutos desta nostalgia.

Além de ter marcado a história dos games por conta disso, Flappy Bird também nunca será esquecido por ser uma perfeita analogia para a vida e tudo o que vem com ela.

“Quando encontrarmos um obstáculo, a única opção é ultrapassá-lo. Se você levou na cara tentando fazer isso, levante e tente outra vez”

Ora, se não fazemos isso todo dia – em casa, no trabalho, com a namorada, vendo sua conta de cartão de crédito aumentar, tentando perder peso, reativando amizades, ou seja, em TUDO – pode crer que você já pode sair de circulação, tal qual o joguinho. Se não aguenta os canos no caminho, amigo… Game over.

Thiago - teste

Enviado por: Thiago Silva

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