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01 02

Não seja publicitário

Na recepção de um hotel, começo a preencher a ficha para o check in. De repente, chega aquele campo “ocupação” e reflito um pouco sobre ser publicitário. De uns tempos pra cá, “o que você faz” é uma pergunta que me incomoda pela resposta. Afinal, o que é ser publicitário? E como isso realmente define meu trabalho?

Sobre o termo em si, infelizmente o mesmo vem sendo maculado por alguns poucos colegas que se envolveram em toda sorte de escândalos de superfaturamento, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas. Hoje as construtoras “roubaram” o foco sobre nós quando o assunto é corrupção, mas ainda assim estamos maculados. Não bastava o estigma de sermos egocêntricos e maquiadores de produtos, agora também existiam ladrões entre nós. Então, se a ideia é que você entre na área e consiga seus esquemas, por favor, não seja publicitário. Se os seus trabalhos só servirem para inflar seu ego e encher a prateleira de troféus ao invés do bolso do seu cliente, por favor, não seja publicitário.

Ainda sobre o termo e sua diversidade, hoje a agência é um local repleto de pessoas que não se formaram em publicidade. Na criação, por exemplo, temos designers, jornalistas, relações públicas e excelentes contadores de histórias formados nas mais diversas licenciaturas, além de publicitários. Hoje também contamos com antropólogos, psicólogos e outros. Desta forma, a diversidade do termo acabou migrando para o número cada vez maior de especialidades que precisamos num time de comunicação. Então, se a ideia é entrar na área com a prepotência que de tudo que você precisa é ser criativo, por favor, não seja publicitário.

E sobre o mercado, estamos ali localizados entre o anunciante e o veículo. Estamos numa fase de transição e ressignificação de todos esses papeis. O anunciante quer ser cada vez menos anunciante. Já chegou o tempo, inclusive, que anúncio é aquela coisa chata que interrompe o conteúdo que eu quero consumir. O anunciante quer cada vez menos publicidade e mais conteúdo e histórias significativas. Para isso, pensando apenas no significado da palavra, ele não precisa da gente. Sendo assim, por favor, não seja publicitário.

Quando eu decidi ser publicitário para o que faço hoje, a realidade já mudou algumas vezes. E o aprendizado me exigiu ir além da área. Para ser publicitário, você tem que passear por diversas ciências sociais e exatas, precisa da ajuda de muita gente (o que pode ser um conflito em caso de egos inflados) para voltar para a comunicação com várias peças e montar uma boa estratégia. Então, se você é um profissional com versatilidade e entende que isso não te faz melhor do que todo mundo, se a tua percepção do mundo te faz querer se preparar todos os dias para resolver problemas que ainda sequer existem, ocupar vagas que ainda serão criadas e usar tecnologias que ainda estão em modo beta, meus cumprimentos. Hoje o dia é seu.

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